Perícia Ortopédica Judicial: Como Avaliar Lesões Musculoesqueléticas

Guia completo sobre perícia ortopédica judicial, incluindo avaliação de fraturas, hérnias discais, LER/DORT e quantificação de sequelas.

Publicado em 2026-04-01 · 11 min de leitura · WDoctors Laudos

A perícia ortopédica é uma das mais frequentes no âmbito judicial, abrangendo desde acidentes de trânsito até doenças ocupacionais. O perito precisa dominar a avaliação funcional e a quantificação de sequelas para elaborar laudos tecnicamente sólidos.

Principais demandas da perícia ortopédica

1. Fraturas e suas sequelas

As fraturas são causa frequente de demandas judiciais, especialmente quando resultam em:

  • Consolidação viciosa: quando o osso consolida em posição inadequada
  • Pseudartrose: falha na consolidação óssea
  • Infecção pós-operatória: osteomielite e complicações cirúrgicas
  • Limitação funcional permanente: redução da amplitude de movimento

2. Hérnias discais

A avaliação pericial de hérnias discais exige atenção especial por se tratar de condição degenerativa que pode ser agravada pelo trabalho:

  • Diferenciação entre hérnia degenerativa e traumática
  • Correlação com atividades laborativas (profissiografia)
  • Análise de exames de imagem (ressonância magnética)
  • Avaliação da necessidade de cirurgia

3. LER/DORT

As Lesões por Esforço Repetitivo representam parcela significativa das perícias trabalhistas:

  • Tendinites e tenossinovites: inflamação de tendões por movimentos repetitivos
  • Síndrome do túnel do carpo: compressão do nervo mediano no punho
  • Epicondilite: inflamação dos tendões do cotovelo
  • Bursite: inflamação das bursas articulares

Exames complementares essenciais

O perito ortopédico deve solicitar e analisar:

  1. Radiografias: avaliação óssea básica e alinhamento articular
  2. Ressonância magnética: visualização de tecidos moles, ligamentos e discos
  3. Tomografia computadorizada: detalhamento de fraturas complexas
  4. Eletroneuromiografia: avaliação de compressões nervosas
  5. Densitometria óssea: quando há suspeita de osteoporose

Quantificação de sequelas

Tabelas de referência

  • Tabela Brasileira para Apuração do Dano Corporal: da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica — referência principal para quantificação de sequelas
  • Tabela SUSEP: utilizada em seguros privados
  • Tabela DPVAT: acidentes de trânsito
  • Barema europeu: referência internacional para dano corporal
  • Escala de Barthel: avaliação funcional das atividades diárias

Critérios de avaliação

A quantificação deve considerar:

  • Amplitude de movimento articular (goniometria)
  • Força muscular (escala de Kendall)
  • Estabilidade articular
  • Presença de dor e sua interferência funcional
  • Necessidade de uso de órteses ou próteses

Erros comuns na perícia ortopédica

  1. Não realizar goniometria bilateral comparativa: sempre medir o lado oposto como referência
  2. Ignorar a profissiografia: a mesma sequela pode ter impactos diferentes conforme a atividade
  3. Basear-se apenas em exames de imagem: o exame clínico é soberano
  4. Desconsiderar concausas: doenças degenerativas preexistentes devem ser ponderadas

Tecnologia aplicada

O WDoctors Laudos oferece modelos específicos para perícia ortopédica com campos pré-formatados para goniometria, testes especiais e enquadramento automático nas tabelas de quantificação.

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Publicado em 1 de abril de 2026 por WDoctors Laudos