Como se cadastrar como perito judicial nos tribunais

Guia completo para médicos que desejam atuar como peritos judiciais: requisitos, cadastro no CEJUSC, documentação necessária e dicas para ser nomeado.

Publicado em 2026-03-22 · 9 min de leitura · WDoctors Laudos

O cadastro como perito judicial é o primeiro passo para médicos que desejam atuar na interface entre medicina e justiça. Com a crescente digitalização do Judiciário brasileiro e a implementação do Cadastro Nacional de Peritos (CEJUSC-PER), o processo se tornou mais acessível, mas ainda exige atenção a detalhes burocráticos que podem fazer a diferença entre ser nomeado ou ficar na fila.

Quem pode ser perito judicial?

De acordo com o Art. 156 do CPC, o perito deve ter formação superior na área de conhecimento sobre a qual versará a perícia. Para perícias médicas, é obrigatório:

  • Graduação em Medicina com registro ativo no CRM
  • Experiência comprovada na especialidade (desejável, não obrigatório)
  • Título de especialista (valorizado, mas não exigido por lei)
  • Idoneidade moral e ausência de impedimentos legais (Art. 467 do CPC)

Na prática, os tribunais dão preferência a médicos com título de especialista reconhecido pela AMB e experiência prévia em laudos periciais. Mas não existe impedimento legal para que qualquer médico regularmente inscrito no CRM atue como perito.

Passo a passo do cadastro

1. Cadastro no Tribunal de Justiça do seu estado

Cada TJ tem seu próprio sistema de cadastro. Os mais comuns são:

  • TJ-SP: Portal e-SAJ → Cadastro de Auxiliares da Justiça
  • TJ-RJ: Sistema DCP (Departamento de Cadastro de Peritos)
  • TJ-MG: SEEU → Módulo de Peritos
  • TJ-PR: Projudi → Cadastro de Peritos

Acesse o site do tribunal, procure por "Cadastro de Peritos" ou "Auxiliares da Justiça" e preencha o formulário eletrônico com seus dados profissionais.

2. Documentação necessária

A documentação padrão exigida inclui:

  • CRM ativo e válido
  • Diploma de graduação em Medicina
  • Certidões negativas (cível, criminal, federal, trabalhista)
  • Comprovante de endereço profissional
  • Currículo atualizado com experiência pericial
  • Título de especialista (quando disponível)
  • Foto recente (alguns tribunais exigem)

3. Cadastro na Justiça do Trabalho (TRTs)

Para perícias trabalhistas — que representam um volume significativo de nomeações —, o cadastro é feito nos TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho). O processo é similar, mas geralmente envolve um formulário específico disponível no site de cada TRT.

As perícias trabalhistas mais comuns envolvem doenças ocupacionais, acidentes de trabalho e avaliação de insalubridade/periculosidade. O volume é alto e a remuneração segue tabela própria.

Dicas para aumentar suas chances de nomeação

  1. Mantenha seu cadastro atualizado: Tribunais filtram peritos com cadastros desatualizados. Renove anualmente.
  2. Especialize-se em áreas de alta demanda: Ortopedia, psiquiatria, neurologia e medicina do trabalho concentram o maior volume de nomeações.
  3. Responda rapidamente às intimações: Juízes valorizam peritos que aceitam nomeações com agilidade.
  4. Entregue laudos no prazo: O juiz determinará o prazo para a entrega do laudo (Art. 468 do CPC) estabelece prazo de 20 dias, prorrogável. Cumpra-o rigorosamente.
  5. Invista em formação continuada: Cursos de perícia médica judicial e certificações da ABMLPM são diferenciais.

Ferramentas para gestão pericial

Com o aumento do volume de nomeações, gerenciar prazos, documentos e honorários manualmente se torna insustentável. O WDoctors Laudos centraliza toda a gestão pericial em uma plataforma com IA, permitindo que o perito foque na análise técnica enquanto o sistema cuida da burocracia.

---

Publicado em 22 de março de 2026 por WDoctors Laudos